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Admiro Cavaco Silva e os seus poderes hegemónicos. Quando há um conflito, um problema, uma qualquer situação de emergência, eis que surge o Sr. Presidente da República na televisão para solucionar as questões, sacando do bolso, para estupefacção geral, um palavreado verbalmente infalível: «Espero que sejam desenvolvidos mecanismos com vista ao apuramento de responsabilidades relativamente a esta matéria». Nada mais diz, para quê? E se alguém insistir, ele tem outro bolso, ao qual vai buscar a derradeira frase, que mata de vez pela raiz aquilo que possa ter sobrevivido à primeira investida: «Não faço mais comentários sobre esta matéria». E quantas vezes Portugal já emergiu das cinzas graças a este heróico pragmatismo...

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escarnecido às 20:39

Se por exemplo alguém nos apresenta um amigo, nesse preciso momento torna-se habitual e quase obrigatório realizar algum tipo de interacção social, tal como um aperto de mão, como forma de demonstrar simpatia e prazer em conhecer, ainda que seja tudo geralmente uma fachada falsa. Mas a situação verdadeiramente desafiante, que não deveria ser desejada nem aos nossos piores inimigos, ocorre quando essa pessoa que nos está a ser apresentada é um(a) Emo. Há várias etapas do processo a considerar. Em primeiro lugar é necessário ultrapassar o mais rapidamente e da melhor forma possível o choque estético inicial, ainda que seja sempre penoso tentar ignorar as cinco linhas de eyeliner preto, os ferros espetados no lábio inferior e o cabelo preto-alcatrão oleosamente colado à testa. Os escassos segundos seguintes terão que ser sabiamente utilizados para identificar o género da espécie, neste caso se é macho ou fêmea, pois não queremos dar dois beijinhos na face de um suposto homem. E esta revela-se a etapa mais inatingível do processo. Um dos truques seria pesquisar a olho nu o queixo do indivíduo em busca de capilares pélvicos com vista a determinar se é macho, no entanto o índice de Emos masculinos com resquícios de pêlo facial é tão reduzido que torna este truque inútil à partida.
Outro método seria obrigar, de alguma maneira, que a espécie abrisse a boca e proferisse algumas palavras. Isto possibilitaria, caso esta cooperasse e fornecesse uma resposta, escutar o timbre vocal do indivíduo e assim obter uma probabilidade mais concisa relativamente ao sexo dessa pessoa. No entanto os dados obtidos através da audição do timbre vocal necessitam sempre de serem cruzados com outras informações com vista a uma decisão precisa.
Quando todo o processo está concluído podemos avançar então com uma atitude comportamental para um cumprimento adequado. Contudo, o tempo decorrido em todo este procedimento, desde o momento do primeiro choque visual até ao nosso cumprimento, não poderá ultrapassar os cinco/sete segundos, daí esta relação estímulo-comportamento no que toca a Emos continuar a ser matéria para profissionais.

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escarnecido às 01:32

Sobre o hip-hop

13.02.08
Mas afinal o que é o hip-hop? Pergunto eu. Há sempre alguém que responde algo como «O hip-hop não é só um estilo de música, é um estilo de vida», o que me obriga a falar um pouco com essa pessoa sobre o significado da retórica.

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escarnecido às 00:42




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